É incrível ler aquela carta que te escrevi a dois anos e
pensar: quem era aquela garota ou quem sou eu agora? Não se engane, não fui
apenas eu que mudei, você também mudou, e muito.
Mas por algum motivo que eu tento entender todos os dias,
nós preferimos fingir que nada aconteceu e continuar vivendo na ilusão que
criamos, como se fossemos os mesmo de anos atrás.
Nós sabemos que essa não foi a melhor escolha, sabemos que
isso nos machuca a cada dia, a cada encontro, quando preferíamos o passado ou
quando não conseguimos enxergar o futuro. É triste perceber que tudo aquilo que
eu sonhei ter, não conseguirei se estiver com você. Poxa como foi que a gente
se perdeu? Fomos caminhando cada um para
um lado, e o fio que nos mantinha juntos esticou –se ao máximo, agora estamos
nós em lados opostos da estrada, longe demais para voltar pelo mesmo caminho, e
parados num ponto sem direção.
Nenhum de nós quer cortar o fio, queremos continuar caminhando
sem precisar deixar ir. Mas nós sabemos que a cada passo, o fio se estica, e
quanto mais esticado mais aperta e fere a nossa pele. Alguém vai ter que soltar
primeiro.
À distância faz com pareçamos cada vez mais diferentes um
para o outro. Nós não nos importamos mais com os sentimentos, não ligamos se
estamos machucando um ao outro. Puxamos
a corda, tentamos caminhar, obrigando que o outro nos siga, mas ele não pode.
Já desistimos de muitas coisas por nós,
a nossa bagagem já se extraviou completamente, agora só nos resta a nós
mesmos e disso não podemos nos desafazer.
No ponto que estamos é difícil olhar pra frente, mas olhar
pra trás é extremamente doloroso, pois o tempo que nos devia ter trago
felicidade e nos aproximar cada vez mais trouxe apenas frieza e momentos
tristes.
Eu assim como você não quero continuar, mas do mesmo modo não
consigo me soltar. Alguma coisa nos prende. Precisamos descobrir o que é,
precisamos ser livres e deixar que o outro também seja.
Seja forte, corte o fio, e viva.
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